DESTAQUES DO DIA MARINGÁ NOTICIAS GERAIS PARANÁ

Violência contra crianças exige reação da sociedade, alerta arcebispo de Maringá

Violência contra crianças exige reação da sociedade, alerta arcebispo de Maringá

Tempo estimado de leitura: 4 minutos

A violência contra crianças e adolescentes segue como uma das faces mais graves da desigualdade social no Brasil e não pode ser tratada como um problema distante ou restrito a determinados contextos. O alerta é do arcebispo de Maringá, Dom Frei Severino Clasen, que atualmente preside a Pastoral da Criança em nível nacional. Para ele, proteger a infância é uma responsabilidade coletiva que envolve famílias, poder público e toda a sociedade.

Segundo Dom Severino, a violência contra crianças não se manifesta apenas de forma explícita, por meio de agressões físicas, mas também em situações de negligência, abandono emocional, fome, falta de acesso à saúde e ausência de vínculos familiares.

“Quando uma criança cresce sem cuidado, sem proteção e sem oportunidades, a sociedade inteira falha”, avalia.

Violência que nasce da desigualdade

Na leitura do arcebispo, há uma relação direta entre desigualdade social e violência contra crianças. Famílias submetidas a condições extremas de pobreza, insegurança alimentar e falta de acesso a serviços básicos acabam mais expostas a situações de estresse, ruptura de vínculos e fragilização do cuidado. Nesse contexto, crianças tornam-se as principais vítimas.

Dom Severino chama atenção para o fato de que a violência não pode ser analisada de forma isolada.

“Ela nasce de uma cadeia de abandono”, afirma. Falta de políticas públicas eficazes, desemprego, precarização do trabalho e ausência de apoio às famílias criam um ambiente propício para que a infância seja violada de múltiplas formas.

O papel da Pastoral da Criança

Como presidente da Pastoral da Criança, Dom Severino destaca que o trabalho da entidade vai muito além do acompanhamento nutricional ou de orientações básicas de saúde. A atuação envolve escuta, presença constante nas comunidades e fortalecimento dos vínculos familiares, especialmente nos primeiros anos de vida.

Criada em 1983, a Pastoral da Criança atua em todo o território nacional por meio de uma ampla rede de líderes comunitários voluntários. O foco está no cuidado integral da criança — físico, emocional e social —, desde a gestação até os primeiros anos de desenvolvimento. Ao longo de sua história, a entidade contribuiu de forma significativa para a redução da mortalidade infantil no país.

Para Dom Severino, proteger a criança é investir no futuro da sociedade. “Quando cuidamos da infância, estamos prevenindo a violência lá na frente. Estamos formando pessoas mais seguras, mais humanas e mais capazes de conviver”, afirma.

Cuidado, presença e responsabilidade coletiva

O arcebispo defende que o enfrentamento da violência contra crianças não pode se limitar a discursos ou ações pontuais. É preciso construir uma cultura do cuidado, que valorize a presença dos pais, o fortalecimento da família e o apoio às comunidades mais vulneráveis.

Nesse sentido, Dom Severino reforça que a Igreja, por meio da Pastoral da Criança, atua como parceira do poder público e da sociedade civil, mas não substitui o papel do Estado. “A proteção da infância exige políticas públicas consistentes, investimento contínuo e compromisso social”, ressalta.

Trajetória marcada pelo cuidado

A atuação de Dom Severino à frente da Pastoral da Criança dialoga diretamente com sua trajetória pastoral. Antes de assumir a Arquidiocese de Maringá, em 2020, ele atuou em regiões marcadas por extrema pobreza, como o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Essa experiência, segundo ele, moldou sua compreensão sobre a urgência do cuidado com os mais vulneráveis.

Seu lema episcopal — acolher e cuidar — sintetiza essa visão. Para o arcebispo, não se trata apenas de uma diretriz religiosa, mas de um compromisso ético com a vida. “Cuidar das crianças é cuidar da humanidade”, resume.

Dom Frei Severino Clasen falou sobre sua trajetória, fé e desafios sociais contemporâneos no episódio especial de Natal do podcast Ponto a Ponto, do Jornal Maringá Post, disponível no YouTube. A entrevista, concedida ao jornalista Ronaldo Nezo, ajuda a compreender o olhar pastoral e social que também orienta sua atuação nacional à frente da Pastoral da Criança.

https://www.youtube.com/watch?v=NcKiFxMigro

Notícias em tempo real:

PUBLICIDADES & PARCEIROS

Carousel contents not found!