
O suspeito de assassinar a freira Nadia Gavanski de 82 anos, em Ivaí, nos Campos Gerais, afirmou em depoimento à Polícia Civil do Paraná (PC/PR) que ‘ouviu vozes para matar alguém’. A informação foi divulgada pelas autoridades na madrugada deste domingo, 22. Com passagens pelo setor policial, o homem afirmou que asfixiou a religiosa, e negou ter realizado outro tipo de agressão e/ou violência sexual. O caso segue em investigação.
A vítima era integrante do ‘Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada‘. Por volta das 13h30, equipes da Polícia Militar do Paraná (PM/PR) foram acionadas para atendimento de ocorrência de morte no convento. Ao chegarem, constatou-se que a idosa se encontrava caída ao solo, com vestimentas parcialmente retiradas, sinais de agressão física e sem vida. A equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que acompanhou a PM/PR, confirmou o óbito.
Conforme a PC/PR, uma testemunha, fotógrafa que registrava um evento no convento, foi abordada pelo suspeito logo após a prática do crime. O homem apresentava nervosismo, roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Inicialmente, alegou que trabalharia no convento e que teria encontrado a vítima já caída e sem vida.
Desconfiando da narrativa, a testemunha registrou discretamente parte da interação e solicitou apoio a outros presentes para acionar ambulância e Polícia Militar. Nesse intervalo, o autor deixou o local.
Com base nas filmagens realizadas pela testemunha, o suspeito, de 33 anos e já conhecido das equipes policiais por antecedentes criminais de roubo e furto, foi identificado. Diligências resultaram na localização dele em sua residência. Ao notar a aproximação da equipe policial, tentou fugir e foi contido após oferecer resistência, com socos e chutes. Questionado na abordagem, admitiu a autoria do crime.
Depoimento à polícia
Na delegacia, o suspeito confirmou a versão inicial. No interrogatório, relatou ter passado a madrugada consumindo crack e bebidas alcoólicas. Na data dos fatos, alegou ter ouvido vozes que o ordenavam matar alguém, razão pela qual pulou o muro do convento já com a intenção de tirar a vida de uma pessoa.
Ao avistar a vítima, a freira o questionou sobre sua presença ali, ao que ele respondeu que trabalharia no convento. Percebendo que a religiosa não acreditou na explicação, o homem afirmou tê-la empurrado, fazendo-a cair ao solo, momento em que ela começou a gritar. Declarou ter colocado os dedos da mão direita dentro da boca da vítima, promovendo asfixia.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o suspeito negou ter golpeado diretamente a cabeça dela, embora teria admitido que ferimentos cranianos possam ter ocorrido durante a queda. Também negou qualquer ato de violência sexual contra a vítima ou intenção de subtrair bens no local.
Ao constatar que a freira não mais reagia, afastou-se e, em seguida, aproximou-se de frequentadores do convento, reiterando que trabalharia ali e informando ter encontrado a religiosa caída.
Uma das irmãs do convento relatou, em depoimento prestado na delegacia, que a vítima, após o almoço, tinha o hábito de dirigir-se ao local do fato para alimentar galinhas – momento em que o crime teria ocorrido.
Crimes cometidos
O suspeito foi autuado em flagrante pelos crimes de homicídio qualificado (art. 121, § 2º, do Código Penal), com indícios de qualificadoras como motivo fútil, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de resistência (art. 329 do Código Penal). Foi encaminhado à Cadeia Pública, onde se encontra à disposição da Justiça.
Segundo a PC/PR, “a circunstância de a vítima apresentar vestimentas parcialmente retiradas pode sugerir a prática de crime sexual (consumado ou tentado), hipótese que será rigorosamente analisada após a conclusão dos laudos periciais”.
Até o momento, não há indícios concretos de intenção prévia de subtração de objetos, possibilidade que também permanece sob investigação. Os trabalhos prosseguem sob responsabilidade da delegacia titular, visando ao completo esclarecimento dos fatos.
As informações são do site ARede.





