Desde o final de 2024, o Sistema Faep está na estrada. Com o projeto ‘Sistema Faep no Trecho’, uma comitiva coordenada pelo presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, percorre o Paraná para visitar praticamente todos os sindicatos rurais do Estado. Até outubro deste ano, a comitiva esteve em 155 entidades da base, o que corresponde a 95% do total. Esse percurso por todas as regiões contabilizou 20,6 mil quilômetros rodados. A meta é chegar a 100% dos 163 sindicatos até o final de 2026.
“A proposta é simples: cair no trecho para escutar os dirigentes, conhecer de perto a realidade de cada município e reforçar o compromisso do Sistema Faep com a defesa do produtor rural”, destaca Meneguette.
“O resultado de estar próximo à base superou as expectativas, pois pudemos identificar onde é possível avançar, melhorar, fazer algo novo e reforçar a atuação. O principal ponto foi saber que o nosso sistema sindical é forte, unido e preparado”, complementa.
Encontros inéditos em Juranda e Ribeirão do Pinhal
Em alguns sindicatos como Juranda, criado há 41 anos, e Ribeirão do Pinhal, fundado há 59 anos, essa foi a primeira vez que o dirigente máximo do Sistema Faep esteve.
“O produtor rural está lá na ponta, e é lá que a gente precisa estar. Cada sindicato tem uma realidade diferente, e só conhecendo de perto para entender e defender os interesses junto aos governos estadual e federal”, afirma Meneguette.
“Muitas das pautas que levamos aos governos e órgãos públicos nasceram dessas conversas. É o produtor dizendo, na porta do sindicato, o que está travando a vida no campo. Nosso papel é ouvir, organizar essas demandas e defendê-las”, afirma.
Subsídios para novos projetos
Além das conversas com presidentes, diretores, gestores, mobilizadores, colaboradores e comissões de mulheres, as visitas do projeto “Sistema Faep no Trecho” permitiram a criação de novos projetos, como o Renova Sindicato, criado para melhorar a infraestrutura das entidades rurais do Paraná. Isso porque, segundo o gerente do Departamento de Relações Sindicais da entidade, João Lázaro Pires, todos precisam estar fortalecidos para que a representação do campo seja efetiva.
“A presença em cada sindicato não é apenas relacionamento, mas fortalecimento e aproximação. Termos sindicatos fortes é de extrema importância para a engrenagem do Sistema Faep”, diz.
“O sindicato rural é a porta de entrada do produtor no Sistema Faep. Quando o sindicato é forte, bem estruturado e tem gente engajada, todo o sistema ganha força”, destaca.
Segurança na base
Durante a visita ao Sindicato Rural de Sertanópolis, fundado em 1981, o presidente do Sistema Faep explicou os benefícios que o sistema oferece ao agricultor e o papel do sindicato dentro da estrutura sindical. Na ocasião, escutou as demandas locais, como a busca por recursos e a liberação do curso de trânsito de máquinas agrícolas em rodovias, principalmente na época de plantio e colheita. O município de Sertanópolis se destaca na produção de soja, milho e frango.
“Esta visita traz segurança aos sindicatos que, como o nosso, enfrentam desafios. A gente se sente mais protegido”, conta a presidente do Sindicato de Sertanópolis, Celina Terassi.
Cenário detalhado
No Norte Pioneiro, o presidente do Sindicato Rural de Ribeirão do Pinhal, Paulo Emílio Coutinho, considera a iniciativa “importantíssima” para o município que tem como principais produções agropecuárias a soja, o milho, bovinos de corte, café, leite e frango.
“A visita permite que a comitiva do Sistema Faep conheça, de forma detalhada, a realidade de cada sindicato. Isso é muito importante”, avalia Coutinho.
Energia elétrica e pedágios
Em Juranda, região forte na produção de soja, milho e frango, a presença do “Sistema Faep no Trecho” reuniu integrantes da diretoria e da comissão de mulheres, além da prefeita do município, Joelma Demeneck. Entre as principais queixas dos produtores da região, Lisandra de Melo, presidente da entidade, cita o alto custo dos serviços cartoriais, a demora no restabelecimento de energia elétrica no meio rural e o valor dos pedágios.
“Por meio desse contato, o presidente pode ver de perto as necessidades, as dificuldades e as evoluções de cada sindicato”, afirma Lisandra, que atualmente comanda o sindicato fundado em 1985.
Cada sindicato, uma realidade
Em Turvo, o presidente Max Scheifer, que está no primeiro mandato, destaca a importância de o presidente do Sistema Faep conhecer as particularidades de cada lugar.
“Cada sindicato e município são diferentes dos outros. Por isso, essas visitas são fundamentais. Essa troca permite conhecer o sindicato, os colaboradores, as estruturas e como está sendo o trabalho”, diz o dirigente do sindicato criado em 1987.
O principal desafio local é convencer o produtor a participar do sindicato, algo que, segundo Scheifer, começou a melhorar com a criação da comissão de mulheres.
Valorização da diretoria local
No extremo Sul do Estado, perto da divisa com Santa Catarina, o presidente do Sindicato Rural de Bituruna, Joel Nalon, conta que a visita valorizou a diretoria local.
“Essa proximidade aumenta a confiança e a familiaridade dos presidentes dos sindicatos com o presidente da Faep e a equipe. E eles passam a conhecer as particularidades locais, os pontos positivos e as dificuldades, e percebem onde pode ser investido”, avalia.
No sindicato, fundado em 1967, a conversa tratou da atuação do Sistema Faep, da sustentabilidade financeira das entidades e da comunicação nas redes sociais, que o sindicato reforçou depois do encontro. Entre as demandas dos produtores da região estão as questões ambientais, como áreas embargadas, Cadastro Ambiental Rural (CAR) pendente e dificuldade de licenças, além do alto custo de produção, do preço baixo da erva-mate e do aumento das taxas de registro de imóveis.



