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O prefeito de Maringá, Silvio Barros (PP), atribuiu ao que chama de “apagão das centas” o andamento lento de projetos no primeiro ano de mandato. Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan Maringá, nesta segunda-feira (5), o chefe do Executivo fez um balanço de 2025 e admitiu que “esperava ter feito mais”. Assista a entrevista na íntegra.
Barros citou o imbróglio envolvendo a pista emborrachada do Parque do Ingá, que custou R$ 4 milhões e foi levada por uma enxurrada, em 2022. Uma ação movida pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) pede a responsabilização de seis agentes do município por suspostas falhas na elaboração do projeto e o ressarcimento, aos cofres públicos, do valor gasto na obra. O caso ainda não foi julgado judicialmente.
De acordo com o prefeito de Maringá, a possibilidade de ressarcimento pago pelos servidores, além das custas processuais neste caso, teria deixado funcionários de carreira receosos em tomar decisões sensíveis, temendo também serem responsabilizados no futuro em caso de questionamentos dos órgãos de fiscalização.
“Em uma análise interna, eu diria que eu esperava ter feito mais. Mas também precisamos entender que a máquina precisava de uma reestruturação e alguns ajustes. O fato que ocorreu com a pista emborrachada gerou um problema muito acentuado do apagão das canetas, um fenômeno que o Brasil todo já conhece, onde o servidor público concursado, para não colocar seu emprego estável e vitalício em risco, prefere dizer ‘não’, não emitir pareceres que possam depois lhe trazer responsabilidades. Quem elaborou o projeto da pista emborrachada foram técnicos demandados pela Prefeitura, o comando mandou fazer e eles fizeram. Hoje, eles já gastaram uma fortuna com advogados e estão correndo o risco de ter que reembolsar a Prefeitura em R$ 6 milhões, mas quem mandou fazer não está correndo risco nenhum. Então, os colegas vendo uma situação dessas disseram ‘é melhor a gente botar o pé, no freio, nem tudo que a gestão pedir a gente vai topar fazer, pois se não tudo vai estourar nas nossas costas’”, disse o prefeito, em entrevista à Jovem Pan.
Segundo Silvio, a situação demandou uma atuação mais direta do Executivo em 2025, que buscou alternativas para dar amparo aos servidores e deixá-los seguros, novamente, para a emissão de pareceres. Foi por conta disso que a Prefeitura enviou para a Câmara uma lei que autoriza os procuradores do município a defenderem os servidores em processos envolvendo o exercício da função. O texto já foi aprovado pelos vereadores e sancionado pelo Executivo. Na visão do prefeito de Maringá, este amparo aos funcionários de carreira permitirá que, em 2026, as decisões sejam tomadas com mais velocidade.
“Entendendo que isto causou uma dificuldade muito grande, um atraso nas decisões e nos avanços que gostaríamos de colocar em prática, eu demandei que a nossa Procuradoria estudasse um meio de legislar em favor do servidor, ou seja, a partir de agora, o servidor será defendido pela Procuradoria quando estiver no exercício de sua função e não precisará mais gastar com advogados quando o Ministério Público quiser questionar se o que ele fez está certo. Se é a gestão que está demandando e é algo importante para o município, a gestão tem obrigação de defendê-lo. Fizemos isso e agora eu tenho certeza absoluta que a gente vai conseguir melhorar a nossa velocidade, conseguiremos dar respostas pois o servidor passará a se sentir amparado”, afirmou.
Apesar de admitir os atrasos, Silvio Barros ponderou que a gestão realizou serviços importantes em 2025.
“Este atraso nas decisões e nos avanços infelizmente não nos permitiu entregar tudo na velocidade que a gente gostaria. Por outro lado, reconheço e acho que vocês também reconhecem: dê uma andada pela rua, em janeiro do ano passado o mato estava batendo na minha cintura. Hoje, não estou dizendo que não tenha mato, tem, mas muito menos do que tinha antes. A gente efetivamente tem conseguido dar para a cidade uma situação respeitosa para o cidadão que hoje mora em Maringá, ainda temos muito a se fazer que não se resolve de um momento para o outro, até porque o orçamento não previa determinados investimentos, mas eu não estou satisfeito com a estrutura e a maneira como alguns equipamentos públicos estão atendendo a população”, finalizou.




