DESTAQUES DO DIA • MARINGÁ • NOTICIAS GERAIS • PARANÁ

Quatro décadas de protagonismo: como o ACIM Mulher forma lideranças e impulsiona os negócios em Maringá

Quatro décadas de protagonismo: como o ACIM Mulher forma lideranças e impulsiona os negócios em Maringá

Tempo de leitura: 3 min

Maringá — Longe de funcionar como um círculo restrito de relacionamento, o conselho da mulher empresária mais tradicional do noroeste do Paraná consolidou um modelo de governança baseado em capacitação contínua, sucessão planejada e impacto social direto. Com quatro décadas de atuação dentro da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), o ACIM Mulher é o centro de uma engrenagem que conecta liderança feminina, desenvolvimento econômico e compromisso cívico.

 

Em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, gravado no VMark Estúdio para o portal Maringá Post, a advogada tributarista e presidente da entidade, Noroara Moreira, detalhou a dinâmica interna do conselho e desmistificou a ideia de que a instituição opere como um espaço fechado ao público externo.

 

Mais de cem candidatas para sete vagas: a quebra da bolha

Composto atualmente por um quadro ativo que oscila entre 60 e 65 empresárias de diferentes faixas etárias e setores econômicos, o ACIM Mulher reflete o caráter da sociedade maringaense que almeja por participação em espaços associativos. No último processo seletivo conduzido pela entidade, a abertura de apenas sete vagas atraiu mais de cem empresárias inscritas.

 

Para Noroara, essa concorrência expressiva é o termômetro de uma instituição que soube romper barreiras e dialogar com o mercado real da cidade. “Esse movimento mostra que furamos a bolha. O conselho é visado por mulheres que desejam se capacitar, trocar experiências reais de gestão e contribuir voluntariamente com a comunidade”, afirma a presidente.

 

A estrutura de trabalho apoia-se em três pilares estratégicos desenhados para a gestão:

 

Consolidação interna: Cadência e aprimoramento contínuo dos projetos tradicionais do conselho, garantindo disciplina e rotina de entregas.

 

Capacitação técnica: Ferramentas práticas para que as conselheiras compreendam a fundo os desafios financeiros, tributários e operacionais de seus próprios negócios.

 

Extensão comunitária: Ações voltadas para fora dos muros da associação comercial, incluindo mentorias para conselhos de municípios vizinhos, certificações de processos e eventos abertos ao público geral.

 

Para garantir que a liderança seja exercida na prática, cada iniciativa do conselho é conduzida por um time próprio com uma líder dedicada. “A sucessão dentro da entidade torna-se natural porque as líderes são forjadas na execução dos projetos. Elas aprendem a planejar, coordenar e entregar resultados concretos”, explica Noroara.

 

Portas abertas: o combate ao estigma de “clube fechado”

A presidente rebate enfaticamente a percepção de que o ACIM Mulher seja um espaço inacessível para quem ainda não integra o quadro oficial de conselheiras. Pelo contrário: a entidade mantém uma agenda fixa de iniciativas desenhadas para integrar a sociedade civil e o empresariado local.

 

Entre os destaques está o projeto Protagonistas. Mensalmente, o conselho promove um talk show aberto em que uma empresária de destaque no mercado — não pertencente ao conselho — senta-se ao lado de duas conselheiras e de uma jornalista mediadora para debater desafios da gestão. A reunião é aberta a interessadas mediante inscrição prévia nas redes sociais da entidade.

 

“A empresária que participa desse encontro vivencia a rotina de uma reunião nossa, entende as pautas e estabelece contato direto com quem está ali. É uma oportunidade de ouro para quem planeja disputar um processo seletivo futuro”, orienta Noroara. A entidade também promove agendas técnicas amplas, como o Fórum ACIM Mulher — que recentemente reuniu especialistas para debater a governança e o avanço da gestão feminina no agronegócio regional —, além da tradicional mobilização no Outubro Rosa.

 

Autonomia financeira e o enfrentamento à violência

A atuação do conselho não se restringe ao ambiente corporativo. Para Noroara, a capacitação para a independência financeira é um dos pilares mais urgentes da cidadania feminina, servindo como base de sustentação contra vulnerabilidades sociais.

 

Essa convicção levou o ACIM Mulher a liderar de forma ostensiva a campanha institucional Até Quando, voltada ao combate da violência doméstica e familiar. A ação mobiliza o comércio e prestadores de serviços de Maringá para fixar informativos com contatos de emergência e rotas seguras de denúncia em espaços reservados, como banheiros de bares, restaurantes e lojas.

 

“A violência contra a mulher não escolhe classe social nem nível de escolaridade. O conselho tem uma voz institucional poderosa e precisa usá-la”, pontua a presidente. “Ao colocar esses canais de socorro em locais estratégicos do comércio, oferecemos uma ferramenta concreta para que mulheres em situação de risco consigam acessar as redes de apoio e a polícia.”

 

O legado de 40 anos de história

Celebrando quatro décadas de fundação com homenagens às ex-presidentes que estruturaram o conselho desde a primeira gestão, o ACIM Mulher encerra o ciclo de 2026 reafirmando o associativismo como motor de Maringá.

 

“O associativismo exige doação desinteressada de tempo, mas devolve repertório, rede de contatos e visão de futuro”, conclui Noroara Moreira. “Ninguém constrói nada sozinho. O ACIM Mulher existe para dar suporte, gerar oportunidades e lembrar a cada empresária que o seu papel é indispensável para o desenvolvimento da cidade.”

 

A íntegra da entrevista com Noroara Moreira no podcast Ponto a Ponto vai ao ar neste domingo, 8 de novembro, às 7h, no canal do Maringá Post no YouTube. Os melhores momentos da conversa e análises exclusivas estão disponíveis no portal maringapost.com.br.

 

Notícias em tempo real: