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Papai Noel já está com agenda lotada em Maringá

Papai Noel já está com agenda lotada em Maringá

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A caixa de correio de uma residência no Parque Industrial, em Maringá, começa a ficar cheia de correspondências bem antes do fim do ano. São cartas endereçadas ao personagem mais icônico do universo infantil que chegam à casa onde vive o aposentado Cláudio Coelho. Pertinho do Parque do Japão, mora o Papai Noel maringaense, cuja agenda de compromissos já registra alta procura, mesmo faltando meses para as festas natalinas.

A rotina de trabalho concentrada entre novembro e dezembro exige esforço diário. São cerca de 50 dias seguidos sem folga, conciliando horários entre gravações de comerciais, fotos para outdoors, visitas a shoppings, centros de educação infantil e ceias de famílias que o contratam há anos. Para atender às exigências do mercado, Claudio cultiva a barba natural ao longo do ano — que ele raspa logo após o Natal para aproveitar as férias na praia, antes de deixá-la crescer novamente — e conta com um figurino de cinco roupas diferentes. Um profissionalismo suficiente para justificar um faturamento entre R$40 mil e R$50 mil nos dois últimos meses do ano.

A trajetória como o bom velhinho começou por acaso, quando Cláudio ainda atuava no setor de Recursos Humanos da cooperativa Cocamar. Durante uma ação de fim de ano em um lar de crianças, ele se fantasiou para fazer a entrega de presentes e tomou gosto pela missão. Ao seu lado nos bastidores está a esposa, Dona Márcia, que assume o papel de Mamãe Noel e cuida de toda a confecção e do ajuste do visual.

Histórias e pedidos marcantes

A convivência diária com crianças e famílias rende episódios inusitados e momentos de grande emoção. Entre as memórias curiosas, Cláudio lembra de um menino no shopping que pediu uma cobra de verdade como presente. Por outro lado, pedidos simples de famílias vulneráveis costumam mobilizar ações comunitárias.

Em uma das cartas recebidas, uma criança pedia apenas um frango para a ceia. Ao entregar o alimento na residência acompanhado de amigos, Cláudio percebeu que a família nem sequer possuía geladeira para armazenar a comida, o que fez o grupo se mobilizar para conseguir um eletrodoméstico usado para a casa. Em outra ocasião, em um Cemei, uma menina entregou um bilhete dizendo que estava feliz naquele dia simplesmente porque o pai a tinha levado para tomar um refrigerante.

Apesar da rotina puxada no final do ano, Cláudio afirma encarar o trabalho não como cansaço, mas como um dom de vida voltado a levar alegria para crianças e adultos. Para ele, o mercado maringaense continua aquecido e com espaço aberto para novas pessoas que queiram vestir a roupa vermelha e perpetuar a tradição do Natal.

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