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Maringá se prepara para um debate urgente sobre a efetividade das políticas de proteção às mulheres. A cidade, que registrou mais de 6 mil casos de violência doméstica apenas em 2025, traz ao centro das discussões os 20 anos da Lei Maria da Penha — legislação reconhecida internacionalmente por punir e enquadrar as violências física, emocional, moral, sexual e patrimonial, além de responsabilizar diretamente o poder público.
Para enfrentar essa pauta no município, a Associação Maria do Ingá Direitos da Mulher realiza o debate “20 Anos da Lei Maria da Penha: Conquistas e desafios”. O evento gratuito ocorre nesta quarta-feira (26), às 19h, na sede do Sismmar (Avenida Paissandú, 465, Vila Operária).
Apesar da sólida legislação, a realidade dos números locais reflete a persistência do problema na região. De acordo com a presidente do Fórum Maringaense de Mulheres, Tania Tait, a escalada das agressões, o avanço do feminicídio e o surgimento de novas ameaças, como a violência digital, mostram que a punição e a estrutura de atendimento não são suficientes por si sós. O impacto é ainda mais crítico sobre as mulheres negras e em situação de vulnerabilidade social, que aparecem no topo das estatísticas.
Com 25 anos de atuação no combate à violência em Maringá, a ONG Maria do Ingá tem sido peça fundamental no acolhimento e na orientação de vítimas, direcionando os casos para órgãos de suporte como: Centro de Referência de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência (Cram); Núcleo de Maria da Penha da Universidade Estadual de Maringá (Numape/UEM); e Comissão de Violência de Gênero da OAB (Cevige).
Em 2025, o Cram atendeu 384 mulheres e realizou 2.026 ações. Somente no primeiro semestre de 2026, já foram 212 mulheres atendidas e 1.108 ações, com projeção de chegar a 424 mulheres e 2.216 ações ao longo do ano.
“E o trabalho não termina no atendimento individual. A Semulher também atua na prevenção e na busca ativa, levando informação para os bairros e diferentes espaços da cidade por ações Itinerantes, palestras e blitz educativas, justamente para aproximar a política pública das mulheres e facilitar o acesso à informação e à rede de proteção”, conta Leila Domenici, secretária de Políticas Públicas para Mulheres (Semulher) da Prefeitura de Maringá.
Lideranças e especialistas apontam que o grande entrave na cidade é a ausência de uma cultura de prevenção contínua. Embora a rede pública maringaense esteja estruturada, a permanência do alto índice de ocorrências escancara a necessidade de promover ações de conscientização e educação para a não violência nas escolas desde a infância.
O Fórum Maringaense de Mulheres propôs à Procuradoria da Mulher da Câmara a realização da audiência pública “Pacto Municipal de Prevenção ao Feminicídio”. De acordo com Tait, a solicitação está em tramitação na Câmara Municipal de Maringá. “O objetivo é convidar as autoridades para apresentar o que está sendo realizado em cada área, avaliar a integração e fortalecer os serviços de atendimento às mulheres em situação de violência”, analisa.
Debatedoras
Junto com Tania Tait, a mesa debatedora vai contar com outras especialistas na defesa dos direitos humanos no município, como Aline de Souza (palestrante do Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques) e Claudete Silva, membro da Comissão de Violência de Gênero da OAB e conselheira no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
O evento é promovido em parceria com o Fórum Maringaense de Mulheres, o Sismmar e a Marcha Mundial das Mulheres.
Serviço: Debate “20 Anos da Lei Maria da Penha: Conquistas e desafios” – quarta (26) às 19h -Sismmar – Avenida Paissandú, 465, Vila Operária – Mais informações: @mariadoingamulher
O post Mais de 6 Mil Casos: Maringá debate os gargalos no combate à violência contra a Mulher apareceu primeiro em Maringá Post.
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