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Uma pesquisa realizada em 2025 pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, revelou que a cultura do seguro ainda é uma realidade distante da maioria dos brasileiros. Entre mais de 1.100 entrevistados, menos de 8% tinham algum tipo de seguro de vida ou financeiro. O cenário não muda muito quando falamos no setor empresarial.
Das mais de 9 milhões de empresas abertas no país, menos de 900 mil (ou 10% do total) tem serviços de proteção do patrimônio. Maringá foi exemplo desta dura realidade nos últimos dois meses, quando dois incêndios em empresas, de diferentes setores, deixaram prejuízos de mais de R$ 40 milhões. Ambas não tinham seguro de estoque ou do espaço físico.
Em dezembro de 2025, a vítima foi uma distribuidora de autopeças que ainda não tinha iniciado as operações, no Jardim América. O fogo destruiu o barracão da empresa, que seria inaugurado dias depois, deixando um prejuízo estimado em R$ 40 milhões. Do total, cerca de R$ 25 milhões foram perdidos apenas em estoque. A informação sobre a ausência de seguro foi confirmada pela própria empresa.
Em fevereiro, outro incêndio atingiu uma empresa não segurada, desta vez uma fábrica de móveis para escritório na Avenida Guaiapó. Em comunicado à imprensa, a empresa confirmou também não ter seguro e que ainda calculava o prejuízo estimado.
De acordo com o corretor de seguros Gabriel Assunção, especialista no setor, os empresários brasileiros são receptivos ao investimento, mas a falta de hábito ainda é um obstáculo. Ele destaca que, em muitos segmentos, a contratação ainda é vista como um “gasto”.
“Estima-se que apenas entre 10 e 20% das empresas possuem seguro de suas operações, que envolve estoque, estrutura física e responsabilidades em geral. Eu não usaria o termo resistência de empresários, e sim falta de hábito. No Brasil, quando se usa o termo seguro, pensa-se primeiro no automóvel, enquanto ao redor do mundo, em países desenvolvidos, a primeira cobertura de cada cidadão é o seu bem maior: a vida. O Empresário por vezes sequer faz a cotação, talvez por medo de custos, não sabem que o valor é pequeno, percentual muito menor por exemplo que de seguro de veículos”, explica.
Em Maringá, Assunção classifica o setor empresarial como bem receptivo aos seguros. Na visão do especialista, os casos recentes foram situações pontuais. O valor de uma apólice pode mudar de acordo com o segmento, mas o interessado consegue desenhar o melhor modelo que o atenda.
“Nos setores de comércio e serviços, lojas de rua, farmácias, açougues, mercearias, mercados, pode-se dizer que 99% dos riscos são facilmente seguráveis e a baixíssimo custo. Uma apólice de um escritório, clínica ou lanchonete pode custar à partir de R$ 500 ao ano, em média. Quando partimos para o setor industrial, os riscos envolvidos aumentam e a seguradora exige maior atenção à proteções contra incêndio, produtos inflamáveis são de maior grau de dificuldade, assim como depósitos em geral, onde não há venda direta e apenas armazenamento de produtos. Este setor também enfrenta complexidade na colocaçao dos riscos”, finaliza.





