DESTAQUES DO DIA MARINGÁ NOTICIAS GERAIS PARANÁ

Em Maringá, Defensoria Pública atende famílias de 80 crianças que estão sem vagas em escolas

Em Maringá, Defensoria Pública atende famílias de 80 crianças que estão sem vagas em escolas

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

A Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPE-PR) em Maringá realizou, nesta sexta-feira (13), um mutirão de atendimento voltado à garantia de vagas em escolas da rede pública. A ação teve como foco prioritário crianças e adolescentes de 4 a 17 anos, faixa etária que compreende a educação básica obrigatória.

O atendimento especial marcou a conclusão de duas semanas de trabalho com esta demanda na sede, que recebeu, ao todo, 80 famílias com este mesmo problema. O objetivo do mutirão foi acelerar a resolução de casos em que estudantes estão fora da sala de aula ou matriculados em unidades distantes de suas residências, sem a oferta de transporte escolar.

Diferente de outras ações voltadas a creches, este mutirão concentrou esforços na matrícula obrigatória. A equipe da DPE-PR analisou cada caso para ajuizar as medidas cabíveis ou buscar soluções administrativas diretas com os núcleos de educação, visando a inserção imediata desses alunos na rede de ensino.

Direito à educação

Parte dos responsáveis relatou a angústia de ver os filhos perdendo conteúdo escolar enquanto aguardam uma definição do poder público. É o caso de Angela Maria Alves, moradora da Vila Esperança. Ela se mudou recentemente para Maringá e buscou a Defensoria para garantir a vaga do filho, de 7 anos.

A criança está fora da sala de aula desde o início do ano letivo. Segundo a mãe, a vaga chegou a ser liberada pelo sistema na mesma escola onde a filha mais velha estuda, a um minuto de casa, mas a matrícula foi negada pela direção da unidade sob alegação de superlotação.

“A Secretaria [de Educação] falou que a escola tem que garantir a vaga, mas até o presente momento, não saiu. Procurei o Conselho Tutelar, mas também não resolveu. Vim aqui porque ele está fora da escola”, desabafa Angela.

Rotina improvisada na estrada

A falta de vaga em período integral ou no contraturno escolar também gera situações de risco e instabilidade para as crianças. Mariana Ramiro, de 25 anos, procurou a Defensoria porque o filho, que completará 6 anos na próxima semana, tem vaga apenas no período da manhã.

Como Mariana trabalha e não tem condições de custear uma cuidadora, a criança passa as tardes com o avô, que trabalha como caminhoneiro.

“Hoje passamos na psicóloga e ela falou que ele não pode ficar fora da escola, que ele tem que criar uma rotina. Ele é muito hiperativo [agitado] e não tem a rotina certa que precisa ter todos os dias”, relata a mãe.

A situação chegou ao ponto de Mariana ter que justificar as faltas do filho na escola atual, causadas pelas viagens, após ser cobrada pelo Conselho Tutelar. “Vim para ver se consigo a vaga integral, para ele não precisar ficar viajando mais”, explica.

Impacto financeiro

Além do prejuízo pedagógico e social, a falta de vagas próximas à residência afeta a renda das famílias. O segurança Rodolfo Dias, de 40 anos, precisou se afastar do trabalho para cuidar do filho, que ainda não frequentou a escola neste ano letivo.

A família mora na região do Parque do Japão, mas a vaga ofertada foi em uma escola distante, na região da Avenida Carlos Borges.

“A gente não acha van para levar ele. Já liguei para umas dez vans e ninguém faz a rota, é muito fora de mão. Tem uma escola a mil metros de casa, onde estuda o irmão dele, mas disseram que não tem vaga. Aí eu estou parado, sem trabalhar, para ficar com ele”, relata Rodolfo.

Atuação defensorial

A defensora pública Pietra Carolina Previate, responsável pela organização do mutirão, ressaltou que a ação busca não apenas garantir o aprendizado, mas proteger as famílias, já que a matrícula nessa faixa etária é um dever legal e o Estado deve fornecer os meios para tal.

“A preocupação foi garantir o direito à educação da criança que está em idade obrigatória e também proteger os pais de não responderem uma infração administrativa ou mesmo criminalmente por conta da questão do abandono intelectual”, explica a defensora.

Segundo Previate, a intenção é dar uma resposta rápida para casos onde não há mais possibilidade de diálogo administrativo.

“A nossa intenção com o mutirão foi deixar tudo centralizado e o mais rápido possível. O que precisar ser judicializado, será distribuído ainda hoje”, afirma.

Notícias em tempo real:

PUBLICIDADES & PARCEIROS

Carousel contents not found!