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‘Ele chorou muito no depoimento’: Defesa de adolescente revela detalhes inéditos sobre atentado que matou dois em Campo Mourão

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Foto: Reprodução

A defesa do adolescente de 15 anos apreendido por envolvimento no atentado que deixou dois mortos e três feridos em uma conveniência de Campo Mourão, no norte do Paraná, revelou novos detalhes sobre a motivação do crime e o que teria levado o jovem a executar o ataque.

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Em entrevista exclusiva ao programa Tá Na Hora, da Rede Massa Maringá, nesta segunda-feira, 20, a advogada criminalista Larissa Neves, responsável pela defesa do adolescente, afirmou que o atentado foi motivado por um desejo de vingança relacionado a fatos ocorridos em 2024. Segundo ela, o único alvo seria uma mulher de 40 anos, apontada pelo adolescente como responsável por perseguições sofridas por sua família.

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Foto: Reprodução
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De acordo com a advogada, o adolescente contou que o irmão dele integrava um grupo criminoso liderado pela mulher. Após decidir abandonar o grupo, o irmão teria sido assassinado. Ainda conforme o relato do jovem, a família continuou sendo ameaçada e, meses depois, ele próprio teria sofrido um atentado. Na ocasião, segundo a defesa, sua mãe, que estava grávida, também foi espancada.

Ainda conforme Larissa Neves, após esse episódio, policiais chegaram a auxiliar a família para que o adolescente fosse para Santa Catarina, onde permaneceu por um período. Depois de retornar ao Paraná, ele teria passado meses procurando a mulher que responsabilizava pelos ataques à família.

Segundo a advogada, ao descobrir que a mulher estaria em uma conveniência de Campo Mourão, o adolescente decidiu colocar o plano em prática.

“Ela seria a única pessoa que ele queria acertar. Ele passou algumas vezes em frente ao local para confirmar onde ela estava. Depois dos disparos, só então ficou sabendo que outras pessoas haviam sido atingidas”, afirmou Larissa Neves durante a entrevista.

Defesa diz que adolescente chorou ao saber das outras vítimas

Ainda segundo a defesa, o adolescente afirmou que não conhecia as demais vítimas e que não pretendia atingir outras pessoas. A advogada contou que, durante o interrogatório, o jovem chorou ao descobrir que o ataque havia provocado duas mortes e deixado outras pessoas feridas.

Segundo ela, após fugir do local, o adolescente caminhou até a própria casa, tomou banho, trocou de roupa, descartou as vestimentas utilizadas no crime e permaneceu escondido em uma área de mata até decidir se apresentar à polícia. A entrega aconteceu justamente no dia em que ele completava 15 anos.

Arma seria do irmão morto, afirma defesa

Questionada sobre como um adolescente teve acesso à pistola utilizada no atentado e aos explosivos encontrados na residência da família, Larissa Neves afirmou que, segundo o cliente, todo o material pertenceria ao irmão assassinado.

Ela também declarou que o adolescente nunca havia cometido ato infracional e sustentou que a forma como ele agiu demonstra inexperiência no manuseio da arma. Para a defesa, se ele tivesse experiência em crimes dessa natureza, o resultado da ação teria sido diferente.

Polícia confirma vingança como motivação

O adolescente se apresentou espontaneamente à Delegacia de Campo Mourão na manhã desta segunda-feira (20), acompanhado da defesa, e entregou a arma utilizada no crime. Durante o interrogatório, ele confessou a autoria do atentado.

Segundo a delegada Laís Alves, a motivação apresentada pelo adolescente também foi vingança por acontecimentos registrados em 2024. Conforme a investigação, a mulher de 40 anos, apontada como alvo dos disparos, teria participado de uma ação que terminou com ferimentos na mãe do adolescente, nele próprio e, posteriormente, na morte do irmão.

A Polícia Civil informou, porém, que todos esses fatos ainda são investigados e que as circunstâncias apresentadas pelo adolescente precisam ser confirmadas durante o andamento do inquérito.

Relembre o atentado

O ataque aconteceu na noite da última sexta-feira (17), em uma conveniência de Campo Mourão. Imagens de câmeras de segurança mostram o suspeito chegando ao local usando balaclava. Em seguida, ele saca uma pistola e dispara diversas vezes contra as pessoas que estavam no estabelecimento antes de fugir a pé.

Duas pessoas morreram no local: Marcio Bertholdo Geraldo, de 43 anos, e Michael Zachytko Cavalcante, de 38.

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Michael Zachytko Cavalcante e Marcio Bertholdo Geraldo morreram no atentado — Foto: Redes sociais

Outras três vítimas ficaram feridas. Entre elas está a mulher de 40 anos apontada pela investigação como alvo do atentado, que permanece internada em estado grave após passar por um procedimento para aliviar a pressão intracraniana. Uma jovem de 23 anos perdeu a visão do olho esquerdo e recebeu alta hospitalar nesta terça-feira, 21. Um homem de 41 anos também foi baleado e permanece internado, mas apresenta quadro estável.

As investigações prosseguem para esclarecer todas as circunstâncias do caso, inclusive a origem da arma, dos explosivos encontrados na residência da família e a veracidade das informações apresentadas pelo adolescente durante o interrogatório e à própria defesa.

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