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A Câmara de Maringá aprovou 224 leis no decorrer de 2025. O levantamento foi realizado pelo Maringá Post, a partir de dados do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo (SAPL), consultados pela reportagem nesta terça-feira (30). Ao todo, foram aprovados 182 projetos de lei ordinária (aqueles que são propostos pela primeira vez) e outros 42 projetos de lei complementar, que visam alterar uma legislação já existente.
Na média, foi como se o legislativo aprovasse uma a cada três leis protocoladas pelos vereadores. Os dados mostram que 701 projetos de lei (624 ordinárias e 77 complementares) foram protocoladas no decorrer do ano. Em números absolutos, foram quase sete mil proposições analisadas pela Casa de Leis maringaense: além de leis, foram quase dois mil requerimentos e mais de quatro mil indicações apresentadas pelos parlamentares.
O Maringá Post utilizou os dados levantados para fazer o ranking dos vereadores que mais tiveram projetos de lei aprovados em 2025. Para a metodologia, a reportagem considerou a soma das leis ordinárias e as complementares, aprovados em segunda e também terceira discussões, assinados individualmente ou em co-autoria. Um vereador distrital liderou o ranking de projetos aprovados, enquanto duas vereadoras em primeiro mandato apareceram na sequência. Veja o ranking abaixo:
Vereadores de Maringá com mais projetos aprovados em 2025 (considerando Leis Ordinárias e Complementares)
| VEREADOR | QUANTIDADE |
| WILLIAN GENTIL (PP) | 21 |
| MAJÔ (PP) | 18 |
| GISELLI BIANCHINI (PP) | 17 |
| FLAVIO MANTOVANI (PSD) | 15 |
| LUIZ NETO (AGIR) | 13 |
| MÁRIO HOSSOKAWA (PP) | 12 |
| ITALO MARONEZZE (PDT) | 11 |
| SIDNEI TELLES (PODEMOS) | 9 |
| UILIAN DA FARMÁCIA (UNIÃO) | 9 |
| ODAIR FOGUETEIRO (PP) | 9 |
| MANINHO (REPUBLICANOS) | 8 |
| PROFESSORA ANA LÚCIA (PDT) | 8 |
| ÂNGELO SALGUEIRO (PODEMOS) | 8 |
| DIOGO ALTAMIR (PSDB) | 7 |
| BRAVIN JUNIOR (PP) | 6 |
| AKEMI NISHIMORI (PSD) | 6 |
| LEMUEL RODRIGUES (PDT) | 5 |
| MÁRIO VERRI (PT) | 3 |
| PASTOR SANDRO (UNIÃO) | 3 |
| DANIEL MALVEZZI (NOVO) | 3 |
| JEREMIAS (PL) | 3 |
| GUILHERME MACHADO (PL) | 3 |
| PROFESSOR PACÍFICO (NOVO) | 1 |
William Gentil (PP), que cumpre seu segundo mandato como parlamentar e retornou ao legislativo em 2025, após ter ficado de fora na última legislatura, foi o vereador com mais projetos aprovados ao longo do ano, com 21 proposições. Representando o distrito de Iguatemi, Gentil assinou 10 textos como o único autor, enquanto os outros 11 ele participou como co-autor de projetos de outros colegas.
Dos textos que assinou sozinho, o destaque para o vereador de Iguatemi ficou por conta de homenagens: o parlamentar foi o responsável por leis que alteraram os nomes de três ruas, além da nomeação da nova base da Guarda Municipal no distrito que representa, que recebeu o nome do pioneiro Luiz Carlos Algeri. Gentil também aprovou duas declarações de Utilidade Pública: as associações “Sempre Alerta” e “Mais pelo próximo”.
Duas vereadoras em primeiro mandato aparecem no “Top 3” com mais projetos aprovados: Majô (PP), atual presidente do legislativo e Giselli Bianchini (PP), vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Dos 18 projetos aprovados por Majô, apenas 3 foram em co-autoria, enquanto todos os demais a parlamentar é a única a assinar os textos. Giselli assina 10 co-autorias, assim como Gentil (PP).
Entre as leis aprovadas por Majô que mais se destacaram em 2025, inclui-se o programa “Maringá em Festa”, que autoriza a Prefeitura a colher patrocínios privados para custear a iluminação em espaços públicos durante datas festivas, como o Natal. O texto foi aprovado em agosto, mas ainda não entrou em vigor.
Também de autoria da parlamentar, o legislativo aprovou um projeto que autoriza o município a substituir a compra de material escolar para alunos da rede municipal por ‘vouchers’, onde os pais dos estudantes podem utilizar o cartão para a compra dos itens em estabelecimentos credenciados. O projeto, no entanto, ainda não foi regulamentado.
Giselli Bianchini (PP), que se notabilizou pelos acenos para a base de eleitores conservadores, foi a autora do projeto que institui o “Dia do Patriota Conservador” na cidade. O texto, aprovado em março, institui a comemoração da data anualmente, no dia 6 de setembro. A parlamentar também foi a responsável pelo projeto de lei que institui a preferência para que irmãos sejam matriculados na mesma instituição de ensino, em escolas da rede municipal.
Não é possível relacionar volume com qualidade de produção, analisa sociólogo
Em entrevista ao Maringá Post, o professor e cientista social Joel Cavalcante analisou os números de produção dos vereadores maringaenses. Na visão dele, não é possível estabelecer uma relação entre o volume de projetos aprovados e a qualidade das produções.
“Analisando friamente esses dados, não dá pra gente inferir que, necessariamente, a quantidade de projetos apresentados significa uma boa atuação parlamentar. Muito pelo contrário, às vezes você tem vereador que apresenta muitos projetos e pode estar aparentando que está trabalhando. Uma boa legislatura é aquela que combina a relevância, efetividade, fiscalização e representação não apenas o volume de proposições”, explicou.
Ainda conforme o especialista, o primeiro ano da atual legislatura foi um momento em que os vereadores absorveram um ‘desgaste’ em razão de pautas impopulares. No entanto, ele reforça que a atuação do trabalho deve ser medida a partir da fiscalização das ações do Executivo.
“O fato é que o primeiro ano, digamos, que seja um momento de decantação, de medidas até impopulares para depois você ter o pacote de benesses, mas foi um ano que boa parte da base da Câmara de Vereadores foi base do prefeito, teve alguns desgastes pessoais para algumas proposições, alguns projetos e votações que foram impopulares, o julgamento do mérito ou não da necessidade dessas questões é de outra esfera, mas o fato é que a quantidade de projetos não é a ferida, não é o melhor termômetro para a gente validar o trabalho de um vereador e sim a fiscalização, e a gente esquece que o trabalho premente do vereador é a fiscalização, apresentar projetos de lei também, mas fiscalizar, participar de comissões, ter uma articulação social importante entre a comunidade e o poder público”, finaliza.





