A Vertex Formuladora planeja iniciar a produção de gasolina em Sorocaba, no interior de São Paulo, no início de 2027. O projeto recebeu autorização provisória após uma decisão judicial, mas enfrenta questionamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e de representantes do mercado de combustíveis.
A empresa investiu R$ 60 milhões na instalação industrial, localizada às margens da rodovia Castello Branco. A estrutura conta com 13 tanques e capacidade para armazenar 35 milhões de litros. A autorização concedida permite uma produção de aproximadamente 100 milhões de litros de gasolina por mês, volume equivalente a cerca de 0,05% da produção nacional.
Como será a produção
O projeto utiliza um processo conhecido como formulação de combustíveis. Em vez de produzir gasolina exclusivamente por meio do refino tradicional do petróleo, a técnica combina diferentes correntes de hidrocarbonetos, como a nafta, e outros componentes para obter o produto final dentro das especificações aplicáveis.
Segundo a direção da Vertex, o procedimento é utilizado por refinarias e centrais petroquímicas no Brasil e no exterior.
A empresa afirma que está contratando profissionais e realizando testes e ajustes nos equipamentos para preparar a unidade para o início das operações. A previsão é que a instalação leve até 12 meses após a partida para atingir sua capacidade máxima de produção.
Disputa com a agência reguladora
A entrada da Vertex no mercado ocorre em meio a uma discussão sobre as regras para a formulação de combustíveis no país.
Em julho de 2025, a ANP suspendeu cautelarmente a atividade enquanto avaliava os riscos regulatórios relacionados ao setor. A medida foi adotada em um contexto de investigações sobre possíveis fraudes fiscais e irregularidades na comercialização de combustíveis.
Em 2026, um estudo técnico aprovado pela agência recomendou o encerramento da atividade de formulação fora das refinarias tradicionais. A avaliação apontou benefícios limitados para o abastecimento e riscos fiscais considerados elevados.
A Vertex, por sua vez, argumenta que solicitou autorização para operar antes da suspensão das regras. O pedido foi apresentado em julho de 2024, depois de a empresa comunicar à agência, em dezembro de 2022, o início das obras do empreendimento.
Após decisões judiciais relacionadas ao processo, a ANP publicou, em setembro de 2026, uma autorização provisória para a unidade. A agência recorreu por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), e a permissão poderá ser revista conforme o desfecho da disputa judicial.
Mercado questiona o modelo
O Instituto Combustível Legal (ICL) está entre os críticos da retomada da formulação. A entidade aponta riscos de fraudes fiscais, dificuldades de fiscalização e possíveis distorções na concorrência entre empresas submetidas a condições regulatórias diferentes.
A discussão envolve, portanto, não apenas a capacidade de produção da Vertex, mas também os mecanismos de controle sobre a origem dos insumos, a qualidade dos combustíveis e o recolhimento de tributos.
A empresa sustenta que a técnica é utilizada no setor e defende a regularidade de seu projeto. O impasse dependerá da evolução do processo judicial e das decisões regulatórias aplicáveis à atividade.
Investimento e expansão
Além da produção de gasolina, a Vertex avalia ampliar sua capacidade de armazenamento dos atuais 35 milhões para 65 milhões de litros. O planejamento também prevê a instalação de uma usina de energia solar e, futuramente, a construção de uma unidade de refino no complexo.
Quando o empreendimento foi anunciado pela Prefeitura de Sorocaba, em setembro de 2025, a expectativa era de geração de 150 empregos diretos e indiretos.
Se o cronograma for cumprido, a unidade começará a produzir gasolina em 2027. A continuidade do projeto, entretanto, permanece vinculada às condições da autorização e ao desfecho das discussões judiciais e regulatórias.




