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Governo tem seis medidas para recuperar a confiança do mercado

Governo tem seis medidas para recuperar a confiança do mercado

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A forte reação negativa do mercado financeiro nesta segunda-feira (26) colocou a política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no centro das preocupações dos investidores.

A Bolsa brasileira registrou perdas superiores a 15% durante as negociações, enquanto o real sofreu forte desvalorização diante do dólar. A intensidade das quedas levou à interrupção temporária das operações da Bolsa.

A reação ocorreu após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Investidores que apostavam em uma mudança de orientação econômica passaram a rever suas posições.

Para economistas ouvidos por veículos especializados, a recuperação da confiança dependerá principalmente de medidas concretas para controlar as despesas públicas e estabilizar a dívida do país.

O que Lula pode fazer na prática?

A primeira medida seria apresentar um plano fiscal detalhado, com metas, prazos e estimativas de economia para os cofres públicos. A economista Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, defende uma mudança na trajetória dos gastos e considera insuficiente apenas reforçar as regras fiscais existentes.

A segunda medida seria rever o crescimento das despesas obrigatórias, respeitando os direitos previstos em lei. Previdência e outras despesas vinculadas ao orçamento limitam a capacidade de ajuste do governo e exigem decisões políticas e legislativas.

A terceira seria anunciar os principais nomes da equipe econômica e esclarecer as diretrizes que orientarão o próximo mandato. A escolha do ministro da Fazenda será acompanhada de perto pelos investidores, que procuram sinais de compromisso com a estabilidade fiscal.

A quarta medida seria explicar como o governo pretende financiar suas promessas eleitorais sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Sem essa demonstração, cresce o receio de que novas despesas ampliem o endividamento.

A quinta seria negociar as propostas com o Congresso Nacional. Um plano de ajuste depende de apoio parlamentar, especialmente quando envolve mudanças constitucionais ou alterações em despesas estabelecidas por lei.

A sexta seria estabelecer metas verificáveis e divulgar periodicamente os resultados. Para o investidor, a credibilidade depende não apenas do anúncio de medidas, mas também de sua execução.

O tamanho do desafio

A dívida pública brasileira supera 82% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativas citadas em análises de mercado publicadas nesta segunda-feira. O indicador relaciona o endividamento do governo ao tamanho da economia.

Quanto maior a preocupação com a capacidade de pagamento do Estado, maiores podem ser os juros exigidos pelos investidores para financiar o governo. Esse movimento também pode encarecer o crédito para empresas e consumidores.

A equipe de Lula tem como referência uma meta de superávit orçamentário de aproximadamente 1,3% do PIB até 2030. Entretanto, investidores cobram explicações sobre as medidas necessárias para alcançar esse resultado.

O ajuste fiscal não significa necessariamente eliminar programas sociais. O desafio é compatibilizar as políticas públicas com a capacidade financeira do país, evitando que o crescimento das despesas torne a dívida insustentável.

A recuperação dos mercados não depende exclusivamente do presidente. O cenário internacional, as decisões do Banco Central e as expectativas dos investidores também influenciam o dólar, os juros e as ações.

O sinal mais importante, segundo as avaliações econômicas consultadas, seria a apresentação de um plano fiscal consistente, acompanhado de uma equipe capaz de executá-lo e de apoio político para aprovar as medidas.

 

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