A decisão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) de restringir a participação de atletas trans em competições femininas voltou a provocar debate no esporte brasileiro. A principal reação veio de Tifanny Abreu, primeira mulher trans a disputar uma competição nacional de vôlei feminino no país.
A jogadora classificou a mudança como um “retrocesso” e afirmou estar abalada com a decisão. A nova regulamentação estabelece que as competições femininas nacionais sejam destinadas a atletas consideradas do sexo biológico feminino, com verificação genética relacionada ao gene SRY.
A medida afeta diretamente a participação de Tifanny em competições nacionais, como Superliga, Supercopa e Copa Brasil. No Campeonato Paulista, ela continua autorizada a jogar porque a competição já havia começado quando a nova regra foi anunciada.
O assunto também tem relação direta com o Paraná. Em fevereiro deste ano, a participação de Tifanny na Copa Brasil, disputada em Londrina, foi questionada depois de uma iniciativa local que buscava impedir a presença de atletas trans em competições esportivas.
A CBV recorreu à Justiça, e uma liminar garantiu a participação da jogadora. Tifanny entrou em quadra na final e foi eleita a melhor jogadora da partida na conquista do título pelo Osasco.
O episódio teve repercussão em Maringá, onde veículos locais acompanharam o confronto jurídico envolvendo a atleta e a legislação de Londrina.
E há atletas trans em competições no Paraná? Sim. Além do caso de Tifanny, uma decisão do Tribunal de Justiça do Paraná envolveu uma atleta trans impedida de disputar um torneio municipal de vôlei em Teixeira Soares. O município foi condenado a pagar indenização por danos morais.
Em Maringá, entretanto, não foi localizado até o momento registro público de uma atleta trans identificada disputando atualmente competições oficiais de vôlei feminino na cidade.
A Associação de Voleibol do Paraná possui regras específicas de elegibilidade para atletas transgêneros, mostrando que o tema já integra a regulamentação do esporte estadual.
A mudança da CBV, portanto, ultrapassa o caso individual de Tifanny. Ela poderá afetar atletas que treinam e competem nas categorias estaduais e regionais e deverá provocar novas discussões entre clubes, federações e organizadores de campeonatos.
Para Maringá e região, o desafio agora é acompanhar como a nova regra nacional será aplicada nas categorias de base, competições estaduais, torneios amadores e campeonatos regionais.
O debate sobre a presença de atletas trans no vôlei, que já chegou às quadras paranaenses, ganha agora um novo capítulo com a decisão da CBV.




