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Grupos de WhatsApp promovem venda irregular de “canetas emagrecedoras” em Maringá

Grupos de WhatsApp promovem venda irregular de "canetas emagrecedoras" em Maringá

Tempo de leitura: 3 min

“Promoção hoje. R$ 230. Ampola TG 15 mg.”

A mensagem em um grupo de WhatsApp de Maringá poderia anunciar qualquer produto. Mas oferece a venda de “canetas emagrecedoras”, medicamento utilizado no tratamento da obesidade. Em um mês de monitoramento, o Maringá Post identificou quase 30 anúncios semelhantes em dois grupos da cidade – um de “networking” e outro de serviços. Os preços entre R$ 230 e R$ 300.

As publicações divulgam medicamentos para emagrecimento em tom promocional, com ofertas de pronta entrega e valores inferiores aos normalmente encontrados no mercado regular. Nos anúncios analisados pela reportagem, não há informações sobre fabricante, lote, nota fiscal ou procedência dos produtos.

Além do grupos monitorados, a reportagem teve acesso a anúncios publicados em grupos de faculdade e de condomínio. Em um dos casos, os administradores enviaram um comunicado proibindo a comercialização de medicamentos após a circulação das ofertas.

Para especialistas ouvidos pelo Maringá Post, a facilidade com que esses medicamentos passaram a ser comercializados em grupos de mensagens preocupa tanto pelos riscos à saúde quanto pelos possíveis desdobramentos legais.

Foto: arquivo/Maringá Post

Venda pode configurar crime

Em entrevista ao portal, o delegado Munin afirma que muitas pessoas passaram a enxergar esse tipo de comércio como uma forma de complementar a renda, contribuindo para a banalização da prática.

“Qualquer medicamento vendido no Brasil tem que ter registro na Anvisa. Ele não tendo registro na Anvisa, a legislação equipara esse produto sem registro a produto falsificado. Então ele é punido por falsificação, por não ter registro e não ter fiscalização”, afirma.

Segundo o delegado, a comercialização irregular de medicamentos pode configurar crime contra a saúde pública, dependendo das circunstâncias de cada caso.

Contrabando de canetas emagrecedoras. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Uso exige acompanhamento médico

O endocrinologista Sidney Senhorini, especialista no tratamento da obesidade e do diabetes, explica que os medicamentos anunciados nos grupos não podem ser tratados como produtos de venda comum.

Segundo ele, esses medicamentos atuam em diferentes mecanismos do organismo e exigem indicação individualizada, além de acompanhamento médico durante todo o tratamento.

“Não existe uma ‘melhor caneta’ para todo mundo. Mesmo quando a caneta é original, ela precisa ser indicada para a pessoa certa, na dose correta e com acompanhamento. Esses medicamentos podem causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, constipação, refluxo e desidratação. Em algumas situações, podem ocorrer complicações que precisam ser identificadas precocemente.”

O médico alerta que o problema vai além do uso sem orientação profissional.

“Existe o risco médico: usar um medicamento sem acompanhamento significa não avaliar se existe realmente indicação, se a dose está correta, se a pessoa está perdendo gordura ou massa muscular, se há deficiência de vitaminas, alterações nos exames ou algum efeito colateral que precisa ser identificado.

E existe o risco sanitário: utilizar um produto sem garantia de procedência, sem saber se contém realmente o princípio ativo anunciado, se foi armazenado corretamente ou se passou por algum processo de adulteração.”

Segundo Senhorini, embora o custo do tratamento seja elevado para muitos pacientes, existem medicamentos aprovados e regulamentados no Brasil que devem ser utilizados apenas com prescrição e acompanhamento médico.

Especialistas orientam que medicamentos para tratamento da obesidade e do diabetes devem ser adquiridos apenas em estabelecimentos regularizados e com prescrição médica, quando exigida. Antes de iniciar qualquer tratamento, a recomendação é consultar um médico para avaliar a indicação do medicamento, a dose adequada e possíveis contraindicações.

Também é importante verificar se a embalagem apresenta informações como fabricante, número do lote e registro sanitário, além de desconfiar de ofertas com preços muito abaixo dos praticados no mercado ou de vendas realizadas exclusivamente por aplicativos de mensagens.

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