O sonho de recomeçar a vida em Portugal acabou dando lugar a uma batalha judicial que já se arrasta há meses. A analista financeira Maria Salete Brandão retornou a Maringá para tentar recuperar um sobrado localizado no Parque da Gávea após uma negociação imobiliária que, segundo ela, resultou em prejuízo financeiro e passou a ser investigada pela Polícia Civil.
Conforme apurou a reportagem, a negociação foi realizada em 2024 com um corretor de imóveis e empresário, proprietário de uma imobiliária de Maringá. O acordo previa a cessão dos direitos de um financiamento imobiliário e o pagamento do valor restante em parcelas, conforme estabelecido em contrato.
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Convencida de que o compromisso seria cumprido, Maria Salete deixou o Brasil para iniciar uma nova etapa da vida em Portugal. No entanto, já no exterior, ela afirma ter constatado que os pagamentos previstos no contrato não estavam sendo realizados.
Segundo a analista financeira, além de deixar de receber os valores acordados, ela precisou continuar arcando com as parcelas do financiamento do imóvel, bem como com despesas de água e energia elétrica, para evitar a inadimplência e possíveis prejuízos ainda maiores.
Sem conseguir solucionar a situação à distância, Maria Salete decidiu interromper o projeto de viver na Europa e retornar a Maringá para tentar reaver o dinheiro investido ou recuperar o imóvel.
Ainda de acordo com a proprietária, durante as tentativas de acordo foram oferecidos outros bens como forma de pagamento, entre eles um apartamento e uma casa. Entretanto, as negociações não avançaram e nenhuma das propostas foi concretizada.
Disputa pelo imóvel chegou à Justiça
Diante do impasse, a analista financeira ingressou na Justiça com uma ação de reintegração de posse, representada pelo advogado César Rocha.
Em primeira instância, a Justiça de Maringá concedeu uma liminar autorizando a retomada do sobrado. Posteriormente, porém, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça do Paraná após recurso apresentado pela defesa do corretor.
Segundo o advogado, durante a apuração também foram identificados outros processos judiciais envolvendo o mesmo corretor e a empresa, com relatos semelhantes aos apresentados por sua cliente. De acordo com a defesa, essas informações integram a estratégia processual para demonstrar um possível padrão de atuação, tese que ainda será analisada pelo Poder Judiciário.
Polícia Civil investiga o caso
Além da disputa na esfera cível, o caso também passou a ser investigado na área criminal. Um boletim de ocorrência foi registrado e a Delegacia de Estelionatos de Maringá instaurou um inquérito para apurar a denúncia.
Em nota à reportagem, a Polícia Civil informou que o procedimento está em andamento, com coleta de depoimentos e produção de provas. Até o momento, o inquérito não foi concluído e não há decisão definitiva sobre o caso. A reportagem procurou a defesa do corretor citado na ação e permanece à disposição para publicar seu posicionamento caso haja manifestação.
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