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Irmãos de menino morto por não dar ‘bom dia’ ao pai relatam tortura: ‘Ele morde a gente’

Irmãos de menino morto por não dar 'bom dia' ao pai relatam tortura: 'Ele morde a gente'

Um relatório do Conselho Tutelar Rural de Viamão (RS) enviado à Justiça revelou que os irmãos de Oliver Golden Grayson, o menino de 3 anos que morreu após ser espancado pelo pai na Região Metropolitana de Porto Alegre, sofriam agressões físicas contínuas e severas. Após a internação de Oliver, os outros quatro filhos do casal foram encaminhados para acolhimento institucional e passaram por exames periciais no Departamento Médico-Legal.

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O menino teve morte cerebral constatada após ser espancado pelo pai/ Foto: Reprodução

Os laudos constataram diversas marcas pelo corpo das crianças, incluindo lesões compatíveis com mordidas humanas. Durante a avaliação, o irmão mais velho relatou de forma espontânea aos profissionais que as marcas eram causadas pelo pai, afirmando que o homem costumava mordê-los.

O documento detalha que o irmão mais velho demonstrava um medo intenso em relação ao genitor, reproduzindo comportamentos de controle e intimidação. Ele tentava impedir que os outros irmãos exibissem os ferimentos ou conversassem com a equipe médica, além de demonstrar forte resistência em permitir a avaliação do próprio corpo.

O histórico da família aponta que o Conselho Tutelar de Viamão já os acompanhava desde novembro de 2025, após receber a informação de que as crianças haviam passado quatro meses em um abrigo na cidade de Palmitos, em Santa Catarina, pelo mesmo motivo. Naquela ocasião, Oliver, que tinha apenas um ano e meio, já apresentava sinais de violência física.

O caso ganhou repercussão após a prisão preventiva do missionário norte-americano Dandre Jermaine Grayson, que confessou ter espancado o filho caçula no distrito de Águas Claras. Em depoimento à Polícia Civil, o agressor alegou que agrediu a criança com socos no peito, no abdômen e bateu sua cabeça contra o chão porque o menino não lhe deu “bom dia”.

O próprio pai levou o filho ao hospital de Viamão no domingo (5), mas, devido à gravidade dos traumas, a criança precisou ser transferida para o Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, onde teve a morte encefálica confirmada na noite de quarta-feira (8). Os órgãos do menino foram doados pela família.

A mãe de Oliver, Mayanna Angelina Rodgers, que tem dupla cidadania por ter nascido no Japão e ser filha de norte-americanos, também foi presa preventivamente por omissão no caso. Em nota técnica, a defesa de Mayanna afirmou que está colaborando com as investigações e argumentou que a mulher se encontrava em um estado de grave vulnerabilidade, sendo também vítima de violência doméstica, física, emocional e espiritual no ambiente familiar. O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher e a família, que reside no Brasil há nove anos, estava em Viamão há cerca de oito meses.

As informações são do TNOnline