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Maringá ultrapassa 50 mil MEIs e mantém saldo positivo de novos

Maringá ultrapassa 50 mil MEIs e mantém saldo positivo de novos

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Em 2026, Maringá ultrapassou a marca de 50 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) em atividade, consolidando um cenário de expansão contínua no empreendedorismo local. O avanço chama atenção em meio a um contexto nacional desafiador, onde uma parcela significativa das empresas não consegue se manter ativa por mais de cinco anos.

De acordo com dados da prefeitura, o número de MEIs mais que dobrou, desde 2019, quando o município registrava cerca de 24 mil CNPJs nessa categoria. Atualmente, são cerca de quatro mil novas formalizações, por ano, contra entre duas mil e três mil baixas, no período, o que garante saldo positivo e crescimento constante. No total, Maringá soma cerca de 108,7 mil empresas ativas.

Crescimento acelerado após a pandemia

Segundo a diretora do Espaço do Empreendedor da Secretaria de Aceleração Econômica e Turismo (SAET), Mayra Ribeiro, a pandemia foi um dos principais motores dessa expansão.

“O que aconteceu foi uma antecipação de movimentos. Muitas pessoas passaram a buscar alternativas de renda, principalmente no digital e em pequenos negócios. O MEI virou a porta de entrada para isso”, explica.

Ela também destaca mudanças no mercado de trabalho, com maior adesão ao modelo de prestação de serviços.

“Hoje, muita gente prefere ter mais autonomia ou trabalhar por conta própria. E muitas empresas também passaram a contratar como MEI, principalmente em áreas como beleza”, afirma.

Da demissão ao próprio negócio

A trajetória da costureira Marcia Costa ilustra o movimento. Microempreendedora há seis anos, ela conta que precisou se reinventar durante a pandemia e encontrou no MEI uma alternativa para continuar trabalhando.

“Sempre trabalhei em fábricas de costuma, mas com a pandemia muitas pessoas foram demitidas, inclusive eu. Para me reinventar e continuar no mercado, decidi abrir um MEI e, como já tinha um ateliê de costura em casa, segui firme no projeto e atuo nele até hoje”, relata.

Hoje, ela realiza os atendimentos diretamente de casa, modelo que se tornou comum entre pequenos empreendedores nos últimos anos.

Serviços lideram entre os pequenos negócios

De acordo com o Espaço do Empreendedor, o setor de serviços concentra cerca de metade dos MEIs em Maringá, seguido pelo comércio e outras atividades, como alimentação, transporte e construção civil – perfil semelhante ao observado no restante do País.

Por que empresas fecham antes de cinco anos?

Apesar do cenário positivo na cidade, dados nacionais mostram que a sobrevivência empresarial ainda é um desafio. Levantamento do Sebrae indica que apenas 41,5% dos MEIs permanecem ativos, após cinco anos.

A consultora do Sebrae Paraná, Patricia Santini, explica que a principal fragilidade está na estrutura de gestão.

“O MEI normalmente faz tudo sozinho: vende, executa o serviço e ainda cuida da administração. Quando a gestão é superficial, o negócio se torna muito mais vulnerável”, afirma.

Segundo ela, o problema vai além da falta de dinheiro.

“É preciso olhar para controle financeiro, mercado, concorrência e posicionamento. Sem isso, o risco de fechamento aumenta”, completa.

Falta de planejamento ainda é o principal erro

Na prática, a facilidade para abrir um MEI pode acabar contribuindo para a mortalidade precoce das empresas. Muitos empreendedores iniciam sem planejamento ou organização mínima.

“A pessoa abre e vai ver o que acontece. Falta estrutura, falta visão de crescimento. Isso impacta diretamente na continuidade do negócio”, avalia Mayra, diretora do Espaço do Empreendedor.

Outro problema recorrente é a desorganização financeira, como atraso no pagamento de tributos e não cumprimento de obrigações, o que pode levar ao desenquadramento do MEI.

Diferencial competitivo é decisivo

Além da gestão, a especialista do Sebrae aponta que o posicionamento no mercado é determinante para a sobrevivência.

“Quem disputa apenas por preço tem mais dificuldade. O cliente que busca só preço não fideliza. O empreendedor precisa ter um diferencial que o cliente reconheça e esteja disposto a pagar”, destaca Patricia.

Capacitação e apoio fortalecem cenário local

Um dos fatores que ajudam a explicar o desempenho de Maringá é o suporte oferecido aos empreendedores. O município disponibiliza oficinas, treinamentos gratuitos e acesso a linhas de crédito, o que contribui para a manutenção dos negócios.

“A capacitação faz toda a diferença. Quando o empreendedor entende o que está fazendo, ele tem muito mais chance de continuar”, afirma Mayra.

Crescimento deve continuar em Maringá

A expectativa é de que o número de MEIs continue crescendo nos próximos anos. Para especialistas, o modelo deve seguir como uma das principais portas de entrada para o empreendedorismo no Brasil.

“O MEI movimenta a economia local. São os pequenos negócios que fazem a cidade girar, e isso tende a crescer ainda mais”, conclui a diretora do Espaço do Empreendedor.

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