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Uma empresária de Maringá viralizou nas redes sociais ao anunciar que manterá as lojas dela fechadas no dia 11 de maio, data em que seria celebrado o feriado de aniversário da cidade. O pronunciamento de Mariza Rezende, proprietária da Dig For Fashion e compartilhado em seu perfil pessoal no Instagram, na tarde dessa sexta-feira (24), já alcançou mais de 55 mil visualizações.
Uma lei aprovada na Câmara de Maringá no dia 14 de abril transferia a celebração, prevista para o domingo, dia 10 de maio, para a segunda-feira, dia 11. O projeto, no entanto, perdeu validade após uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) em uma ação ajuizada pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), que afirma que a alteração é inconstitucional.
Além da Fiep, a Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), junto com outras 27 entidades, também buscaram o judiciário para barrar a lei alegando perdas na ordem de R$ 63 milhões caso o feriado fosse mantido em um dia útil. Com a liminar, todas as lojas da cidade estão autorizadas a abrir na segunda-feira (11), inclusive as de Mariza.
“Respeito o debate de ideias e esse é o posicionamento da minha empresa, as mães da dig (além de obviamente não trabalharem no dia das mães) vão ganhar um dia de folga de presente e estamos nos movimentado para nos adaptar com o 5×2 (já é realidade em três de nossas unidades). Nós queremos quebrar um ciclo! cabe a reflexão onde você gasta seu dinheirinho sagrado”, escreveu a empresária.
Mariza é dona de uma rede de brechós com 22 lojas espalhadas em 17 cidades. Em Maringá, são duas unidades, além de um centro logístico que dá suporte para os outros municípios onde a Dig For Fashion atua. Somente nas lojas que atendem o público, são 30 funcionários.
Em entrevista ao Maringá Post, a empreendedora afirmou que tomou a decisão em respeito aos colaboradores. De acordo com ela, muitos deles já estavam com compromissos previamente marcados em razão do anúncio do feriado. Mariza destacou a relação de confiança que tem com os funcionários e afirmou que a equipe ficará mais motivada depois do descanço.
“As minhas funcionárias de loja eu já falei: ‘pessoal, na segunda-feira, aniversário de Maringá, é a folguinha de vocês. Eu tenho um funcionário que já comprou camping, que já estava com viagem planejada, eu tenho uma funcionária grávida que vai fazer enxoval. Aí, do nada, eu chego e falo ‘gente, tem uma liminar e vamos ter que abrir, não quero nem saber’? Não pode ser assim, não funciona assim. Não tem porquê eu me colocar numa situação desconfortável com o meu time, que eu tenho uma parceria, uma relação de confiança com eles e não tem porquê eu impor para eles algo decidido de última hora”, afirmou.
Mariza classificou a decisão liminar obtida pelas entidades como ‘arbitrária’ e questionou outras mudanças já ocorridas no feriado nos últimos anos.
“Eu gosto de deixar bem claro que eu não sou contra abrir em feriados e eu não sou contra abrir aos domingos. Eu, por exemplo, eu já fiz vários eventos aqui em Maringá que acontecem em um domingo, a minha loja fica aberta e tudo mais. Mas, nesse feriado em específico, eu achei arbitrária a decisão, eu achei que foi incoerente, porque todos os outros anos em que essa data iria prejudicar o comércio, eles mudaram, ninguém falou nada, tá tudo bem. Aí, justamente, num dia em que iria ajudar e beneficiar o trabalhador, se mobilizaram dessa forma. Não concordo com isso”, explicou.
Ainda na visão da empreendedora, o fato vai muito além de um dia a menos de faturamento. Ela destaca a necessidade de cuidar do material humano.
“Cuidar do funcionário vai muito além de um dia de faturamento. Um time motivado para mim, um time que vai na terça-feira super motivado, é muito melhor, pode ter certeza que eu vou vender o dobro do que se eu tivesse aberto na segunda-feira com o pessoal com bico, trabalhando triste, desanimado. Quando a gente fala, principalmente hoje em dia, é muito mais do que só o faturamento, sabe? Eu não vou ser hipócrita aqui e falar que um dia de faturamento não vai fazer falta, mas é porque é muito mais do que isso. Eu preciso levar em consideração a motivação do meu time, entender que eles têm uma vida fora dali. Pensar só em faturamento, para mim, é uma visão muito anos 90, já não cabe mais hoj em dia”, finalizou.






