DESTAQUES DO DIA MARINGÁ NOTICIAS GERAIS PARANÁ

Sistema FAEP alerta para alta nos preços dos alimentos e risco a empregos no Paraná

Sistema FAEP alerta para alta nos preços dos alimentos e risco a empregos no Paraná

Tempo estimado de leitura: 5 minutos

Em artigo recente, o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, manifestou preocupação com os reflexos do debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que tramita em Brasilia por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), especialmente em um ano marcado por discussões políticas intensas e eleições.

Segundo Meneguette, a alteração na jornada de trabalho poderá gerar um “cenário desastroso” para setores como indústria, serviços e comércio, mas a agropecuária seria uma das mais severas afetadas. O argumento central é que a mudança exigiria um aumento expressivo no número de contratações para suprir a redução de horas, em um mercado onde a mão de obra qualificada está cada vez mais rara.

Impacto no prato do brasileiro

A preocupação da FAEP se estende ao bolso do consumidor. Atividades que exigem atenção 24 horas por dia, como a produção de leite, aves, suínos e peixes, seriam as mais impactadas pela necessidade de novos turnos.”A obrigação de novas contratações certamente vai impactar os preços dos alimentos para a população”, afirma Meneguette no texto.

Debate técnico vs. Politicagem

O setor produtivo defende que o tema não seja utilizado como ferramenta política para angariar votos em ano eleitoral. Para a federação, a mudança reduziria investimentos e colocaria em risco o crescimento do país, sem necessariamente trazer o benefício esperado ao trabalhador, devido ao aumento do custo de produção.

O Sistema FAEP reforça a necessidade de reconhecer que o Brasil ainda carece de infraestrutura facilitadora e está atrasado em relação a outros grandes players mundiais. O bom senso recomendado pela entidade sugere que o tema seja tratado com profundidade técnica para evitar a ampliação da carga de problemas econômicos e sociais.

Leia na integra o artigo do presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette:

“O ano de 2026 promete intensas discussões em Brasília, com impactos diretos na população, ainda mais com as eleições programadas para outubro. Um tema que, certamente, vai atrair os holofotes é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de jornada de trabalho 6×1. Antes de qualquer decisão, é preciso um debate considerando pontos importantes.

O primeiro é simples e direto. A discussão precisa ser equilibrada, sem qualquer viés ideológico e/ou político. Nossos parlamentares precisam conhecer o real cenário, e não apenas buscar votos para eleição e/ou reeleição. Outro ponto é envolver o setor produtivo no debate, tanto as entidades representativas quanto os próprios empresários.

Do lado do setor agropecuário, já adianto: hoje não é possível reduzir a jornada de trabalho no Brasil! Num primeiro momento, o que pode parecer uma conquista para a sociedade será um grande desastre para o país.

O Brasil não está preparado para essa mudança em face de seu atraso tecnológico, resultado da política protecionista de nossos governos nas últimas décadas. Isso fica provado quando o país aparece na 67ª posição no ranking de produtividade e no 68° lugar em capacitação de mão de obra, segundo levantamento do Global Talent Competitiveness Index (GTCI), elaborado pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas (Insead), em parceria com o Portulans Institute.

Esses rankings significam que não temos condições de competir com outras economias globais, porque os sucessivos governos não atentaram para a necessidade de desenvolver tecnologia, aumentar a eficiência da mão de obra e implantar uma infraestrutura que pudesse ser facilitadora. É preciso reconhecer que estamos atrasados em relação aos demais players mundiais.

A mudança na jornada de trabalho terá reflexos negativos significativos, com aumento do custo de produção e redução dos investimentos, colocando em risco o crescimento do país e comprometendo empregos. Ou seja, não vai beneficiar o trabalhador!

Esse cenário desastroso será verificado em todos os setores – indústria, serviços e comércio. A agropecuária será severamente impactada. No meio rural, onde a jornada de trabalho é diferenciada, a mudança vai exigir dos produtores um aumento expressivo no número de novos trabalhadores – cada vez mais raros – para compensar a redução das horas trabalhadas. Basta ver as tarefas contínuas dos produtores de leite, aves, suínos, peixes e outras atividades que exigem atenção permanente, ao longo das 24 horas do dia, durante o ano inteiro. A obrigação de novas contratações certamente vai impactar os preços dos alimentos para a população.

A proposta do fim da escala de jornada de trabalho 6×1 não pode ser usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição. O bom senso recomenda que não mexamos nesse tema agora, para não ampliar a carga de problemas que pesam sobre o setor produtivo. Cautela e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Principalmente se a medida for elevar o preço do frango.”

Notícias em tempo real:

PUBLICIDADES & PARCEIROS

Carousel contents not found!